domingo, 7 de julho de 2013

O Encontro



A fumaça vermelha que girava à sua volta tomava a forma de um torso e logo se desfazia antes de se tornar completa. O cheiro de enxofre com essências enjoativamente doces tomavam o seu pulmão e impunham uma louca vertigem.



As luzes brancas piscavam revelando parcialmente os azulejos frios das paredes. Ainda não sabia onde estava.

...

A última coisa que se lembrava era de sugar mamilos deliciosamente bem formados. Deles, como em caixas acústicas, se propagavam gemidos inutimente reprimidos. As luzes esverdeadas denunciavam a pele branca e desnuda de seu objeto de prazer. Com a ponta dos dedos acompanhava as formas das costelas, a orelha direita colada no estômago quente. Ela se quer sabia de quem se tratava.

...

Da massa vapozizada veio o sopro quente em seus ouvidos:
- Puta desprezível!

A repulsa daquelas palavras traduziu-se fisicamente em um recuo de sua cabeça que a fez quebrar uma lajota branca tamanha a força do impacto. O sangue tingiu o rejunte encardido e chegou ao chão, junto dela.

Desta vez, apertava as órbitas dos olhos esperando acordar. Nua em posição fetal. Derrota. Olhou pra frente, um homem de terno preto sentado no chão. Sua pele vermelha brilhava e os chifres grossos e torcidos pareciam estar a encarando.


Sentou-se com velocidade e em pavor. Seu coração batia na garganta, sentia-se exposta e vulnerável. Culpada.

-...
-...

Ainda que seus olhos estivessem na mesma altura que os dele, sentiu-se diminuída. Se deu conta de que as luzes piscantes eram flashes de câmeras. A imprensa mundial cobria o encontro de Satã com uma mortal.

Na verdade, ninguém realmente se importava com quem ela era. No entanto, sentia-se rasgada de cima a baixo e revirada por aqueles olhos negros. Era como se ele pudesse ver todos os seus segredos, como se tivesse notado todos os seus desvios de caráter e a proeminência de seus chifres apontasse para cada um de seus defeitos.

As luzes finalmente se acenceram definitivamente.

...

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