sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Gigante acordou, e está de ressaca

No princípio era disforme e vazia
Então se encheu e transbordou das calçadas,
fechou as avenidas.
O grito da multidão calou a voz passiva

Parecia até um sonho, coisa linda!
Ver toda aquela gente
que acompanhava as novelas e campeonatos religiosamente
de repente, ficar politizada.

"Não! Não! Não! Abaixo a corrupção!"
detalhe: em coro uníssono!

Com muita ponderação,
devolveram alguns centésimos de toda a violência que sofriam todos os dias.
Afinal de contas, como dizia o poeta,
"somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião..."
E covardes demais pra dar a cara a borrachada.

O patriotismo efervescente não sabia muito bem o que estava fazendo ali.
Neguinho que até então sonhava em ir morar na Inglaterra
passou a carregar a bandeira nacional nas costas,
mas se quer entendia direito o conceito das cotas.

Dos males, não é o pior,
Aprende tanta coisa errada por osmose...
um pouco de cidadania não faz mal a ninguém.

No meio da cortina de fumaça que se dissipa
olhos marejados ainda não encontraram o rosto do inimigo